Pressão alta em crianças: é possível?

publicado em 14 de outubro de 2018

Quando escutamos que alguém sofre de hipertensão arterial, geralmente pensamos em pessoas adultas, com problemas de sobrepeso e vida sedentária. No entanto, cada vez mais a pressão arterial alta afeta as crianças de qualquer idade.
A mudança desfavorável dos hábitos de vida da criança (alimentação rica em gordura e pobre em fibras, grandes períodos de tempo frente à televisão e ao computador, impossibilidade de sair de casa por causa da violência, etc.) está tornando a obesidade na infância (uma das causas da hipertensão na infância) uma verdadeira epidemia. A Sociedade Brasileira de Hipertensão estima que 5% da população com até 18 anos tem níveis pressóricos elevados. A incidência de pressão arterial alta em crianças varia de 1 a 11% em diversas estatísticas, dependendo dos critérios usados na pesquisa. Hoje sabemos que muitas hipertensões arteriais em crianças são secundárias a alguma outra doença, mas podem também ser o início precoce da hipertensão essencial do adulto.
No caso em que exista suspeita real de hipertensão, o pediatra deverá orientar uma consulta com nefrologista e com um cardiologista infantil para começar com o estudo das possíveis causas da dita pressão arterial elevada. E nesse ponto, também deve imperar a calma, pois um clima de nervosismo não ajudará em absoluto a família nem à criança em questão. Se a pressão estiver alta, a primeira coisa que devemos manter é a tranquilidade. De fato, uma das primeiras e frequentes situações que haverá que descartar é a hipertensão arterial do jaleco branco. Quando a criança vê o médico vestido de jaleco branco, os resultados se mostram aumentados, mas provocados pela pressão que gera o próprio médico. Para descartar essa situação se solicita habitualmente uma monitorização ambulatória da pressão arterial (MAPA), um aparelho que em intervalos programados mede a pressão arterial ao longo de um dia todo, para finalmente revelar se realmente a criança é ou não hipertensa.
O tratamento da pressão alta dependerá das causas. Dai a importância da investigação. Se não existirem razões orgânicas que a justifiquem, o primeiro passo é iniciar programas de exercícios aeróbicos, dietas balanceadas (mais frutas e verduras, menos gorduras e carboidratos) e redução de sal. Quando a hipertensão persiste, está indicado o tratamento farmacológico com as mesmas drogas empregadas no caso dos adultos.


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