Infecção urinaria de repetição

publicado em 09 de outubro de 2018

As infecções do trato urinário são comuns durante a infância. Estima-se que até os 8 anos de idade, 7 a 8% das meninas e 2% dos meninos apresentarão pelo menos um episódio de infecção urinária. A maneira como a infecção urinária irá se manifestar dependerá da idade do paciente e o nível da infecção (envolvimento do rim ou limitada à bexiga).
As infecções urinárias com febre apresentam maior incidência durante o primeiro ano de vida em ambos os sexos. Porém as infecções sem febre ocorrem predominantemente em meninas, com mais de 3 anos de idade, após a retirada das fraldas. A presença de febre aumenta a probabilidade de envolvimento do rim e pode estar associada a mal formações urológicas congênitas e com um risco maior de formação de cicatriz renal como sequela da infecção.
Os sinais e sintomas de infecção urinária dependem da idade da criança. No entanto todo lactente até os 2 anos de idade com febre de origem indeterminada deve ser avaliados para a presença de infecção de origem no trato urinário. Durante esta fase da vida, não existem sinais e sintomas específicos de infecção urinária.
As crianças maiores, mas que ainda não estão treinadas para o uso do banheiro podem apresentar febre, irritabilidade, diminuição do apetite, vômitos, diarréia e prostração.
Aquelas que não usam mais fraldas manifestam queixas mais localizadas sobre o trato urinário como disúria (dor para urinar), dor supra púbica, incontinência de urina diurna, enurese noturna secundária, dor lombar ou na abdome.
A Escherichia coli é a bactéria responsável por 75-80% dos episódios de ITU na infância. Os meninos são infectados por Proteus sp em 30% das vezes.
Acredita-se que as infecções urinarias associadas a cicatrizes renais, sejam causadoras, a longo prazo, de considerável morbidade, como o surgimento de hipertensão arterial e insuficiência renal crônica.
A abordagem terapêutica da criança com infecção urinária febril requer diagnóstico e tratamento precoce a fim de prevenir o surgimento de cicatriz renal.
Na maioria das crianças maiores de 1 mês de vida o tratamento por via oral mostrou-se eficaz. A Associação Americana de Pediatria (AAP) recomenda que a escolha da via parenteral (endovenosa ou intramuscular) deve ser reservada aos pacientes gravemente enfermos, em mal estado geral ou desidratados ou aqueles que tem problemas para engolir a medicação. A eficácia das diferentes vias de administração é a mesma.
O período de tratamento varia de 7 a 14 dias. Os esquemas de tratamento por períodos curtos, menores do que 5 dias, se mostraram ineficazes no tratamento da infecção urinária crianças.
A escolha do antibiótico dependerá do teste de sensibilidade realizado durante a cultura de urina e também às características de resistência antimicrobiana da instituição ou região .
A infecção urinaria de repetição deve ser investigada. Crianças com infecção urinária de repetição podem apresentar causas bem definidas como refluxo urinário , incoordenação miccional (dificuldade de esvaziar a bexiga por aprendizado inadequado), fimose no caso dos meninos, etc. Uma vez detectada a causa específica da infecção de urina, direciona-se o tratamento para este problema.


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